Ela olha para o mundo sem olhar para lugar nenhum,
olha para todos sem olhar para ninguém, faz cara de santa, mas sua voz lhe trai
e atrai, não mostra as pernas, não mostra os seios, mas mostra mais do que se
possa ver, quase nem usa batom nem outro tipo de maquiagem, mas seus olhos caso
não sejam azuis, deveriam ser, nunca foi capa de revista, ou será que foi? Ela
faz um bem pra gente que olha e olha e não descobre nada do que ela mostra
escondidamente. Ela explica, resume, finge, vira menina, volta a ser mulher,
embaralha a cabeça da gente. Ela não perdoa ninguém, não deixa ninguém impune,
todo mundo, sem querer, peca só de olhar par ela, ela desvenda segredos, aflora
tentações, se esculpe numa deusa, é a mais olhada na vitrine, se envolve numa
simplicidade que nos faz admirá-la de baixo a cima, de lado a lado de fora até
dentro. Que moça bonita, que moça... Puxa vida... Que mulher... E eu sequer sei
seu nome. O bom que ela pertence à imaginação de todos, não só da minha.
10/11/09
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