Este e-mail é pela gasolina do seu carro quando resolveu
acabar bem na frente da minha casa. Depois pelas gavetas, pelos pentes, pelas
sandálias, pelo despertador, pela cortina do quarto, pela escova de dente, pelo
sofá, pelo aquário, pelas luzes apagadas, pelas chaves do carro quase sempre
esquecidas aqui, pelo banho junto, pelo café da manhã, pelas músicas, pelo
teclado tocado a quatro mãos, pelas tantas quatro da manhã quando o sono se
escondeu de nós, pelos abraços, pelos olhares, pelas línguas, pelos suores, pela
beirada da cama, pelo tapete da sala, pelos telefonemas, pelos cheiros deixados
pela casa, pelos pés encostando-se por baixo da coberta, pelo que não lembro
agora, por todas as vontades e desejos que compartilhamos, por tanta coisa que
já nos prometemos e por tantas outras que ainda não, como por exemplo, o tal bolo
de chocolate que nunca fizemos juntos para nos lambuzarmos.
13/12/09.
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