Então
a língua encostou-se à outra língua que se deixou encostar e passeou pelo rosto
dele, cuja pele arrepiou-se e começou a suar e o suor da pele de seu rosto e
saciou a sede dela que lambeu mais do que o rosto desceu até onde ele
estremeceu e ele suou mais suor e quis mais língua mais língua dela e ela de
olhos fechados passeou-lhe o resto do corpo com a língua úmida depois mais
abaixo e mais abaixo ainda encontrou a parte também querente de língua e ela
toda, ambos de olhos fechados, ainda que a luz apagada lhes concedesse a omissão
do pecado, de todos eles, lamberam-se como para matar a mútua sede da água
salgada pelo sal deles e se lamberam e se chuparam e se morderam e se
confessaram antes de se penetrarem ela nele ele nela, não o corpo, mas as almas
penetradas esvaziando-se e transbordando-se em sua volúpia, finalmente
expurgando seus pecados, secando-se com suas línguas e depois novamente suando
e assim foi a noite toda até que o dia os denunciou, e com a claridade, se
olharam e se lamberam novamente de cima até embaixo de olhos abertos e se
penetraram novamente ele a ela, ela a ele, agora calados. Não lembro bem do
resto, mas lembro que era inverno e que chovia. Acho que depois dormiram juntos
mais tarde, não sei que horas eram, vi ainda pelo furo da fechadura que dentro
do quarto eles respiravam calmos, inalavam um ao outro, enfim vivos, ambos eram
um só. Ela e ele, ele e ela. E eu ali do lado exterior da fechadura apenas
observando e tentando aprender como que é amar.
(Influenciado pelo livro: “O perfume”
do escritor alemão Patrick
Süskind)
25/01/11
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