Eu gostaria hoje de invadir-lhe-a de
palavras
E também de sons ditos ao seu ouvido
De toques em seu corpo
Até que você me pedisse para que parasse
De tocá-la ou desistisse de ler-me
De imaginações que deixassem de serem
minhas
E que passassem a serem suas
Apesar dos meus 78 anos
Apesar das minhas rugas, da alvura dos
meus cabelos.
Eu gostaria que você me visse de outra
forma
Talvez eu consiga isto caso você nunca
me veja
Talvez nada melhor do que não ser real
Assim poderei ser perfeito.
Eu gostaria que o tempo não tivesse
passado dessa forma
Para que pudesse desfrutar da sua
jovialidade diferentemente
Para que eu estivesse pelo menos um
pouquinho mais próximo desses seus tão poucos anos.
Mas a vida é um rio cujas águas não
voltam jamais
Ou talvez, sejam sempre as mesmas águas
Que voltam sempre para o mesmo rio.
Ainda consigo amar mesmo que
Amando uma saudade distante no
tempo.
Amo conseguir fazer com que o meu
coração não pare
Caminho sozinho, mas sempre acompanhado
De memórias, lembranças
Sinto-me verdadeiramente um velho-moço
Que é jovem há muito tempo.
Consigo amar como um menino que acabou
de se apaixonar por uma menina, e ela acredita nisso tanto quanto ele.
Eu com
setenta e tantos ela provavelmente com uns vinte e poucos.
Ela me lê, me obriga
a escrever, sem me obrigar a mais nada.
Sou um velho rio que avança para o mar do
sempre.
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