domingo, 3 de julho de 2016

Lágrima

Beira do rio
Onde me sento
E me vejo refletido
E onde eu choro
Porque o rio não vai notar
Uma lágrima a mais.
Ele vai e eu fico
Ou será que é ele quem fica
Enquanto a lágrima vai?
Ele leva a minha lágrima
Que não faz diferença
No seu destino
De encontro ao mar

O rio sabe que minha lágrima
Não muda o seu percurso
Mas eu fico sentado
E deixo a lágrima
Ser levada, ser lavada
Pelo rio que leva e lava
A lágrima enquanto eu penso
Onde é que rio nasce.
Será que é de lágrima em lágrima
Que o rio se incumbe
De chegar ao mar?
Enquanto a gota da lágrima
Vive ou sucumbe?
Será por isso o mar é salgado?
Será que talvez de lágrima em lágrima?
De quem se senta e chora
E faz o rio ser rio?

Será que é assim
Que nasce o rio?
De uma lágrima qualquer?

Melhor me levantar
Não olhar para o rio
Deixá-lo cumprir o seu papel
De apenas levar as lágrimas.

Já chorei o que tinha para chorar hoje.
Amanhã vou até o mar
Talvez eu me encontre lá
Quem sabe, eu me veja lá.
Quem sabe, eu chore
Mas que o mar nem note
Nele uma lágrima a mais
Quem sabe nem se importe
Do meu tanto chorar.



Inspirado por poema de Fernando Pessoa
16/05/10



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