Beira do rio
Onde me sento
E me vejo refletido
E onde eu choro
Porque o rio não vai notar
Uma lágrima a mais.
Ele vai e eu fico
Ou será que é ele quem fica
Enquanto a lágrima vai?
Ele leva a minha lágrima
Que não faz diferença
No seu destino
De encontro ao mar
O rio sabe que minha lágrima
Não muda o seu percurso
Mas eu fico sentado
E deixo a lágrima
Ser levada, ser lavada
Pelo rio que leva e lava
A lágrima
enquanto eu penso
Onde é que
rio nasce.
Será que é
de lágrima em lágrima
Que o rio
se incumbe
De chegar
ao mar?
Enquanto a
gota da lágrima
Vive ou
sucumbe?
Será por
isso o mar é salgado?
Será que
talvez de lágrima em lágrima?
De quem se
senta e chora
E faz o
rio ser rio?
Será que é
assim
Que nasce
o rio?
De uma
lágrima qualquer?
Melhor me
levantar
Não olhar
para o rio
Deixá-lo
cumprir o seu papel
De apenas
levar as lágrimas.
Já chorei
o que tinha para chorar hoje.
Amanhã vou
até o mar
Talvez eu
me encontre lá
Quem sabe,
eu me veja lá.
Quem sabe,
eu chore
Mas que o
mar nem note
Nele uma
lágrima a mais
Quem sabe
nem se importe
Do meu
tanto chorar.
Inspirado por poema de Fernando Pessoa
16/05/10
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