O meu lado racional sempre superou, à distância, o meu
lado emocional. Sempre fui assim desde quando pequeno. Sempre paro e penso
antes de qualquer decisão, possuo um poder de compreensão apurado,
improvavelmente eu tome uma decisão sem passar pelo crivo da razão. E esta
mesma razão faz com eu que eu permita às vezes deixar que o meu coração tome
algumas decisões, como agora está acontecendo. E o meu coração pergunta à minha
razão: Por que manter esta porta trancada, por que não permitir que alguém
entre novamente passar por ela, por que deixar secar uma fonte que tem tanto a
oferecer, por que temer correr o risco, e com tantos porquês perguntados pelo
meu coração à minha razão, esta se atrapalha e percebe o quanto o coração tem
que ser ouvido, para que não se perca uma parte tão boa da vida, a parte que
envolve o amar. Por que não amar novamente se o amor é inesgotável, se é o
momento quando nos despimos de coisas ruins e somos totalmente felicidade,
somos todo carinho, atenção para a outra pessoa, se nos transformamos e
transformamos quem por nós é amado.
Quem escreve agora é o coração deixando o meu lado
racional letárgico. Se por um lado está difícil permitir que o meu coração tome
as rédeas do que estou sentindo, por outro, o meu lado racional que se dane.
Vou abrir não só as portas. Vou abrir as comportas de tudo o que está
represado, de tudo o que pode jorrar, quero correr todos os riscos em
compensação me deliciar com todos os sabores do amor que está guardado em mim e
não tinha endereço. Não havia para onde mandar cartas, não havia pra onde
telefonar, não havia um ombro para abraçar, uma boca, um sorriso, um olhar, se
nada disto havia, então não havia sequer vida, e viver não pode ser isto.
Vou dar férias para a minha racionalidade e deixar meu
coração mandar em mim por algum tempo, não sei quanto, mas até mesmo o meu lado
racional concorda que meu coração merece amar novamente, mesmo sem ter nenhuma
razão.
Uma madrugada qualquer...
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